PTInvestigo a magia no banal, sobretudo a partir de objetos e das imagens que eles me provocam. Trabalho com a instalação como linguagem principal, e muitas das minhas obras fazem alusão a formas de objetos ou nascem deles como ponto de partida. O que me interessa é esse trânsito de pensamentos que um objeto pode abrir, me levando a paisagens, mundos, lugares e memórias. Muitas vezes, na tentativa de materializar essas imagens, encontro formas que não quero expor de maneira inteira ou completamente visível. Por isso, a manipulação da imagem também passa pela criação de camadas de dificuldade, recortes, fragmentos e sobreposições.

Articuo a relação entre o fragmento e o todo. Às vezes, um detalhe pode ter tanta força quanto a imagem inteira, e às vezes o próprio objeto já me parece o fragmento de alguma coisa maior. Nos últimos tempos, venho elaborando o papel como matéria principal dessa pesquisa, justamente porque ele me permite construir instalações, recortar imagens, deslocá-las e reorganizá-las no espaço. A partir disso, procuro criar trabalhos em que o visitante também seja levado a um outro tipo de olhar, mais atento ao detalhe.