┃PT┃Minha pesquisa parte do papel como matéria inaugural. Trabalho com celulose não apenas como suporte, mas como estrutura escultórica capaz de circular, dobrar, rasgar e transmutar-se. Em minhas obras, o papel assume diferentes formas (carta, serpentina, diário, baralho) tornando-se matriz para pensar território e memória. Interesso-me por paisagens de transição e pelas maneiras como reorganizamos o mundo por meio de narrativas.
Desloco documentos, laudos médicos, arquivos familiares e registros cotidianos para construir paisagens que aproximam corpo e ambiente. Tanto o organismo quanto o ecossistema são constantemente analisados e projetados por sistemas de previsão; trabalho com essa tensão entre dado e fabulação. Acredito na magia como operação de transformação: não como fuga, mas como gesto que reorganiza matéria e sentido.
Sou uma pessoa com deficiência física, portadora da Síndrome de Marfan, e essa condição informa a forma como concebo meus projetos. A acessibilidade é princípio estrutural desde o início das obras, que são pensadas para transitar entre galeria, escola e espaço público. Entendo a educação como território fundante da cultura e insisto que a imaginação é uma ferramenta legítima para tornar a realidade mais habitável.